quarta-feira, 23 de junho de 2010

Leiam o texto que publiquei no Jornal Diário de Cuiabá

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Dicke e a famigerada lista canônica brasileira



Luciana Rueda Soares*
Especial para o Diário de Cuiabá



Durante séculos reclamamos do ilhamento cultural que a colonização nos impôs, no entanto quando temos a oportunidade de entrar em contato com textos que nos obrigam a refletir sobre o bem e o mal presentes em todos nós, sobre as lutas que travamos diariamente, sobre as crenças e sonhos que deixamos para trás, simplesmente nos acovardamos e não ousamos ousar. Nesse momento, voltamo-nos correndo para o refúgio seguro e tranqüilo do famigerado cânone do universo literário brasileiro, que conhecemos antes mesmo de entrar na escola, por meio da mídia e da crítica. Assim, permitimos que a sensação de uma dominação cultural que é secular se apodere de nós, acostumados à exploração e à falta de prestígio intelectual.
Não fosse o fato de Ricardo Guilherme Dicke estar fora da lista canônica literária brasileira, poderíamos considerá-lo um dos maiores escritores de nossa literatura. No entanto, quanto mais abordamos o assunto, mais sabemos o quanto ele foi colocado à margem dos eleitos. Alguns dizem que se ele e seus livros são comentados, então não estão esquecidos, mas por quê não os encontramos na lista de leituras obrigatórias de nossas universidades, por quê não estão presentes nos livros didáticos ou mesmo nas antologias organizadas por nossos críticos literários?
Durante sua passagem pelo eixo cultual Rio - São Paulo, Dicke recebeu elogios de nada menos que Hilda Hislt e Guimarães Rosa, mas infelizmente, ao que nos parece, isso não foi o suficiente para agradar a academia brasileira que, pelo visto, é muito exigente.
Parafraseando Glauber Rocha: é um grande escritor que ninguém vê, ninguém conhece. É tempo de reparar essa injustiça, é tempo de conhecermos seus textos, de degustarmos suas palavras, de sermos antropofágicos à moda dos célebres Andrades da Semana de 22.
Talvez o que nos falte é conhecer essa outra literatura, a não-canonizada, mas premiada, encenada, aplaudida e publicada, para que possamos saber que existem muitas coisas boas ocorrendo por aqui e debaixo de nossos olhos. Os livros de Ricardo Guilherme Dicke são um ótimo começo!

* Luciana Rueda Soares é mestranda em Estudos Literários (CPTL/UFMS), professora de língua portuguesa e colabora com o DC Ilustrado. (email-ruedasoares@bol.com.br)

(http://www.diariodecuiaba.com.br/Edição nº 12734 13/06/2010< acesso em 23/06/2010)

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